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Tuesday, August 16, 2011

Em algum lugar no tempo

Queria hoje escrever uma carta. Tem tempo que eu não escrevo uma. Olho pros envelopes jogados pela casa e penso pra quem eu mandaria um pedaço de papel com alguma coisa escrita. É tanta gente que foi embora, é tanta gente que já nem existe mais na minha vida, mas que eu lembro. Tanta coisa empilhada numa estante me faz pensar se não é por isso que minha vida anda assim: com tanta coisa empilhada sobre ela. 
Leio minhas cartas antigas, aquelas que um dia recebi. Me dá uma saudade. Uma saudade boa, mas ainda assim saudade. Aquela saudade de quem pensa: eu podia ter aproveitado muito mais. Ou não. Quem é que sabe como seria uma coisa que não foi? Me pergunto de que adianta imaginar isso. Digo, eu sempre fui do tipo que passava noites pensando no "e se"... Mas ontem, ontem foi diferente. Eu pensei : dane-se. Se uma coisa deixa de acontecer outras mil acontecem em seu lugar, e se abateu sobre mim uma síndrome de Polliana Moça tão bonita, tão minha, que eu tive vontade de abrir um sorriso do mundo.
O tempo vai passando e eu estou exatamente onde eu queria estar.

"Palavras murmuradas
Que eu quase nem ouço"

4 comments:

Brenda Matos said...

Eu fiquei "e se.." essa semana. Não faz bem, a verdade é essa.

Aw, amei você-escritora, Erika! :)

Beijos

O Impenetrável said...

muito sensível a sua reflexão, também sou um enorme fã de cartas e às vezes me pego relendo algumas. o tempo passa e as coisas mudam, pessoas somem, e talvez continuamos os mesmos?

grande abraço.

AASegundo said...

Mandei poucas cartas em minha vida, e recebi menos ainda. Mas lembro de todas com muito carinho e ainda tenho algumas delas guardadas. E é assim: as pessoas se encontram e se afastam. As que ficam pra sempre são sempre muito especiais.

Beijão

Lost Samurai said...

Dando uma passadinha rápida nesse seu espaço.
Adoro!