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Monday, May 14, 2012

Maluco Beleza

Pronto. Cá estou me obrigando a estar. Me obrigando a escrever. Ou seria melhor dizer, me permitindo? Antigamente, ou melhor, ali atrás, no tempo, eu escrevia com tal facilidade que se não parasse era capaz de passar o dia atualizando esse blog, contando as coisas da minha vida em metáforas. Era uma compulsiva nessa arte da exposição, de me mostrar, de dizer quem eu era, quem eu sou e porque sou. Hoje em dia o tema continua o mesmo, que fique claro, mas a frequência mudou. Com o passar do tempo aprendi a selecionar o que escrever,o que colocar pra fora. Não pelo que os outros iam pensar, é que acabei percebendo que quando escrevo realmente coloco pra fora aquilo que tá lá, entranhado na minha cabeça ( e às vezes no meu coração, quando eu acho que tenho um). E bem, quando coloco pra fora, sou obrigada a encarar, e veja só, às vezes é complicado olhar pra dentro de si mesmo.
O fato é que passei um tempo longe, guardando as coisas que eu sentia e percebi que me fez muito pior do que encarar meus textos, minhas palavras e sentimentos de frente. 
Andei morrendo por ai, sabe? Tendo falta de ar e palpitação, um nó na garganta que parecia me sufocar. Sintomas físicos mesmo, nenhuma metáfora aqui. Medo, pânico, angústia e ansiedade, todas essas coisas que a maioria das pessoas sente mas cura rapidinho com uma corrida na orla ou o telefonema de uma pessoa querida, mas que me faz precisar de remédios. 
Veja só, não me faz vergonha mais dizer que sim, e dai, tomo antidepressivos e ansiolíticos de vez em quando. Faço terapia ( 2 vezes na semana, se querem saber) e não, não sei lidar com minhas emoções exarcebadas. E daí? É dolorido pra mim, e engraçado pra quem convive comigo, porque afinal, eu faço piadas com isso, e encaro numa boa ser assim, maluquinha. O problema é quando as piadas acabam. Quando eu chego em casa e tenho que me olhar no espelho. Me encarar. Problema é quando no meio da análise eu me deparo com um tema que "prefiro não falar sobre isso agora". Não falo, tudo bem, mas ele fica ali, na superfície da minha memória, como se não bastasse o trabalho todo que dá esconder uma coisa da sua memória, vem alguém e te grita: "ei! lembra quando você fazia terceira série e não tinha nenhum amigo?" .
Talvez eu esteja superando isso nesse momento, ao falar assim, abertamente sobre como me sinto de verdade. Brinco dizendo que meus problemas todos apareceram na infância. Mas olha só, você estranho ( ou não) que me lê, os seus também. Os de todo mundo. Só que eu preciso de remédios. E terapia. E colo e dengo, porque também não sou de ferro.Eu fico com raiva descontroladamente para logo depois amolecer meu coração e deixar tudo pra lá. Veja só se isso é coisa de gente normal! 
Eu não sou normal, e sabe, acho que estou começando a achar isso divertido.

"Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total"

1 comment:

Tatiana said...

Ser normal é a meta dos fracassados!
Mais um texto belíssimo Kinha...Você está agora vivendo a minha vida há 5 anos, terapia, antidepressivos, ansiolíticos, betabloqueadores.Já passei pela sertralina, paroxetina, citalopram. Hoje estou de volta com a sertralina, 100 mg/dia e para apresentações em público, 1 mg de Rivotril.Estou retomando a terapia. Enfim, você não está só Kinha. Grande beijo.