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Thursday, July 18, 2013

Precisa-se de ideias



Uma amiga dessas bem queridas e já muitas vezes citadas aqui, animada com minha vontade de voltar pro blog me perguntou porque afinal de contas eu não volto de uma vez e tenho postado apenas textos espaçados e pouco falando sobre mim. Super poderia responder que amadureci e já não tenho necessidade de falar sobre eu mesma. Mas ai ia ser mentira. Porque vejam, a questão é que há muito tempo não acontece nada que me abale tanto como antes acontecia. Mas coisas novas acontecem todo dia, o tempo todo. Só que acho desconfortante e até mesmo sem graça pros leitores me ler falando sempre de como minha vida vai bem, obrigada. Porque sim, ela vai! Incrivelmente bem. (E confesso que até tenho medo desse mar de rosas...).
O caso é que,  tenho várias ideias de como voltar a escrever. Penso num blog com pequenos contos e histórias aleatórias, penso num blog com histórias seriadas ( por exemplo, uma história por semana, escritas um trecho cada dia da semana)... Bom, não sei. Até um blog sobre culinária eu já pensei em fazer. Mas simplesmente não consigo desapegar desse espaço aqui. Talvez porque ele guarde boas lembranças. Talvez porque um dia ele tenha bombado e eu ainda guarde um pouquinho de esperança de voltar a bombar... Não sei. Talvez porque eu adore passar uma tarde inteira relendo-o.  Bom, desapegar do MMEC é difícil. E quem já teve um primeiro blog sabe o que eu estou falando.
Escrever agora, sobre mim, chega a ser estranho. A menina que vivia uma eterna crise emocional e tomava decisões precipitadas se tornou numa mocinha com auto controle suficiente para pensar antes de responder qualquer provocação.  Aquela jovem que ia para baladas semanalmente com as amigas, falava inglês aleatoriamente (rsrsrs) e usava óculos de sol logo de manhã cedo, na volta pra casa transformou-se  numa criatura que mora de segunda a sexta num local isolado, e no final de semana sai muito pouco. Transformou-se em alguém com um relacionamento (pela primeira vez) completamente estável ( e saudável). É alguém com emprego e profissão valorizados e muito orgulhosa disso, sim! E com a vida pacata. O que não quer dizer sem graça, que fique claro. A nostalgia tende a ser normal quando se olha para trás, eu acho. Mas a vida vai bem obrigada. Aquele vazio esquisito que ela tanto falava aqui parece que sumiu. É estranho. Mas sumiu!
O jeito de encarar a vida agora é outro, e talvez por isso seja tão estranho pra quem lê. E pra quem escreve. Gostaria de ter coragem da Colombina e começar outro projeto, do zero. Mas não tenho. E assim, ainda acho injusto simplesmente deixar de escrever aqui. Só gostaria de achar uma utilidade para espaço tão, tão, tão querido. Aceita-se sugestões.

Thursday, July 11, 2013

Eu pareço nervosa?

Inspirado por Dai, escrito por mim, e representando gente que possivelmente não existe no mundo. Pelo menos nós não conhecemos ninguém assim.



Ataque de raiva no trânsito. Eu sempre soube que um dia ia ter um. Começa do fato de eu simplesmente não entender como pessoas com déficit de atenção e egocêntricas e egoístas, incapazes de respeitar as leis podem conseguir uma habilitação. E os motociclistas, Jesus? O fato é que passei anos com uma carteira guardada na carteira por puro medo de matar alguém, então me reservo o direito de me irritar com pessoas desequilibradas que podem colocar a minha vida em risco.
Sim,sim, sim. Eu tinha medo. Aliás, medo não, pânico de um belo dia feliz, por falta de experiência no volante,me afobar a acabar atropelando alguém. Já pensou no prejuízo pro resto da vida? Da minha e do atropelado, coitado. Preferi esperar algum tempo, trabalhei meu psicológico e cá estou. Numa sala de observação de um hospital público porque o jovem rapaz em que eu bati antes da pressão abaixar e eu ficar verde é médico. Ora. Pra que eu preciso de um médico? Eu não estou doente. Eu pareço doente? Eu não pareço doente. Eu estou é puta da vida! Aonde já se viu? Uma cortada brusca num carro vermelho. VER-ME-LHO. Como é que alguém não vê um diabo de um carro vermelho? Ah, pelo amor de Deus, me tragam uma garapa de limão balão! E ai que o amado que me causou tanto transtorno resolveu que eu sou desequilibrada hormonalmente. Desequilibrada é a senhora mãe dele. 
Agora ele quer me dar um calmantezinho. Calmante? Eu não tô nervosa . Eu pareço nervosa? Eu não tô nervosa. Eu quero é ir pra minha casa, pro meu cachorro chamado Alfredo e minhas pantufas da parada gay e me encher de sopa Vono até explodir.. Pelo amor de Deus. Calmante? Eu não preciso de calmante. Ele que precisa de mais uns dias na auto escola. Quer dizer. A pessoa passa anos sem dirigir para preservar a vida humana e quando resolve voltar a dirigir aparece um qualquer de jaleco branco , charmoso e bate em você. A vida é justa? Não é. Não pode ser.

Monday, July 08, 2013

Por onde andei



Alguma vez você já esteve tão, tão, tão assustada com alguma coisa que nem tinha a reação de ter medo? Um paradoxo, eu sei. Mas experimente essa sensação girando, girando, girando, sem ter ideia do que vai acontecer no próximo segundo. Essa é a sensação de um quase acidente em uma estrada movimentada. Essa mesma sensação que te deixa tão em choque que ao mesmo tempo que te congela e te faz simplesmente esperar é a mesma que faz, minutos depois, entre o choque e o alívio refletir.

Já tinha visto e ouvido muitos relatos de gente que depois de uma situação de risco faz: “vi a minha vida passar que nem um filme” e logo depois o alerta: “ precisamos aproveitar cada segundo porque a vida é coisa muito frágil”. E sempre achei meio bobeira de quem parava e dizia isso. Olha, estar de fato numa situação de risco é uma coisa tão maluco e tensa e chocante que sim, as reflexões sobre que diachos você tem feito sobre sua vida vêm sem que você nem perceba. Minha primeira reação depois que o carro finalmente parou foi: respirar. O susto te faz parar de respirar. E depois lembrar que pronto, sai dessa sem um arranhão. E agora? E durante o dia fui lembrando que muitas coisas tenho deixado de lado, e que sim, tenho muitas coisas ainda por fazer. Mas tenho também muitas coisas para terminar. Muita coisas que gostaria de dar mais atenção e não tenho dado. Este blog por exemplo. Foi minha válvula de escape por tanto tempo, acompanhou as minhas diversas fases e me fez uma pessoa até mais popular no meu habittat natural. Graças a ele fiz amigos, ganhei bombons e consegui escrever todas as coisas que não tinha muita coragem de falar. E olha que o blog é só um exemplo mais fácil de citar quando me refiro a coisas que simplesmente larguei pela metade.  

O que sobrou de tantos rodopios e segundos sem ar? Nem que seja por hoje, a vontade de tocar pra frente, de realizar. “Que a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem uma irrelevância”.

Tuesday, March 19, 2013

Não uso sapato



*só porque eu queria um título com uma música do Charlie Brown. Mentira.*
Nunca fui dada a poesias. Sempre achei que quem escreve poema não escreve para si, escreve para os outros, afinal, aqueles que leem poesia e se acham entendidos acabam, na grande maioria das vezes, achando significados ocultos, identificações que talvez o poeta nunca tenha imaginado. Qual o problema com isso? Nenhum. Mas o caso é que nunca consegui gostar de poesia. Pronto falei. Os cults os amantes da literatura nobre e da riqueza de palavras simétricas que me perdoem, mas é isso. Não gosto de poesia. A menos que venha com notas musicais no combo. Mas ai é diferente. Ai é música. E música é assunto pra outro post, quem sabe.
Por muito tempo, achei que minha aversão completa e disfarçada à poesia fosse fruto de uma inveja velada, por também não conseguir poetizar meus pensamentos. Mas hoje, uma amiga querida, brincou e me disse que eu tinha alma de poesia. Fiquei em choque. Ora! Que diabos é uma alma de poesia? É uma alma incompreensível? Não sei. Não perguntei, não quis dar a bandeira de que não curtia versos. Ainda não tinha resolvido sair do armário dos “não fruidores”. Eu juro que tentei. Da poesia clássica a moderna, dos conhecidos, aos desconhecidos. Eu tentei. Até resgatei um combo de poemas que meu primeiro namorado me deu. Nenhuma poesia tinha sido escrita para mim. Vai ver foi isso. Um trauma. Mas o caso é que eu tentei. Li de tudo. Li Drummond, li Leminsk, li Pessoa. Li todos eles, mas alguns só me convenciam em uma ou outra frase de efeito, lida claro, fora do contexto. E me perguntou. Sou alguém pior por isso? Não gostar de poesia atesta minha insensibilidade? Verdade que para ser um escritor famoso você tem que gostar de poesia? Não que eu queira me tornar uma escritora famosa. Mentira, eu quero. Era segredo, mas agora eu admito. Dou detalhes em outro post também. Mas o caso é: porque diabos nenhum poema me toca? Porque acho rimas chatas? Porque acho uma viagem ler uma coisa que não faz o menor sentido e tentar explicar dando um sentido menor ainda. E porque, ai Deus, porque, os poetas não explicam seus poemas nas notas de rodapé? Ok, essa ultima questão vai gerar críticas e talvez eu seja chamada de burra.  Não sei fazer poesia, e adoraria descobrir que diabos é uma alma de poesia. 
"Eu não sei fazer poesia, 
mas que se foda".

Wednesday, February 20, 2013

Quem mexeu na minha cereja?


Voltando a escrever contos. Coisas da vida. Obrigada Xuxu, pelas boas ideias. 

“Quem mexeu na minha cereja?”, perguntava-se Marianna. Logo ela, sempre tão atenta as suas coisas, tão organizada quando se tratava de algum dos seus roteiros audiovisuais. Sim. Tinha escolhido trabalhar com vídeo e tudo que se referia a imagem e formas de se ver o mundo desde muito nova. Já nos tempos de primário era leitora assídua de seja lá o que fosse, seja lá o que lhe caísse nas mãos. Música? Era paixão. Arranhava alguma coisa no violão, mas tinha que admitir que seu forte mesmo era escrever. Nem que fosse com uma câmera. Sim, ela gostava de escrever com os olhos. Imprimir numa tela o que pensava para que qualquer que fosse outra pessoa conseguisse ler seus sentimentos. E assim virou roteirista.
O filme sobre a cereja foi uma ideia meio maluca, surgida numa noite de bebedeira que acabou em vários goles d’água e um pacote de biscoito bauduco sabor goiaba. Mariana gostava de goiabinhas. Mas isso não vem ao caso. O caso é que nessa noite maluca ela resolveu que faria um filme metáfora sobre a vida. Compararia a vida com uma fruta. E sabe-se lá porque achou que a cereja seria pertinente. No fundo, Mariana achava que a fruta representava mil coisas: a cor vermelha lembrava luta e ao mesmo tempo certa delicadeza e feminilidade, apesar de pequena a fruta guardava consigo um sabor peculiar  que ia do doce ao meio ácido a depender de qual parte da língua a tocasse, isso sem falar da questão da efemeridade de suas flores e na tão falada “cereja do bolo”, que representava a melhor parte de alguma coisa... Enfim, a cereja era um mundo ideal quando se tratava de metáforas. Começou o roteiro meio tímida, mas a história foi ganhando corpo e logo passou a ter pegada, com personagens fortes, que quase falavam sozinhos em sua cabecinha criativa. Quando apresentou o roteiro para um amigo produtor, esse lhe deu de presente um bloco de anotações em formato da fruta, para que pudesse escrever as ideias que lhe surgissem na mente enquanto pensava na parte prática das gravações. Mariana passou meses tendo ideias e anotando-as compulsivamente em sua cereja.
Um dia, chegou em casa e achou seu bloco de notas sem nenhuma página. Todas tinham sido arrancadas. O que teria acontecido com a cereja de Mariana?

Monday, February 04, 2013

O preço

E assim, como quem armazena dados, comecei a fazer o backup das minhas lembranças. Das boas lembranças. Guardá-las, deixá-las num ou dois DVDs de dados, dando espaço assim para um HD limpo, formatado e pronto para ser preenchido com coisas novas, momentos novos, pessoas novas...
Obviamente, as lembranças guardadas continuam sendo parte de mim, parte de quem sou, e invariavelmente virão à tona dar um oi, me fazer continuar sendo quem eu sou. As lembranças estão guardadas,longe dos olhos, mas guardadas com carinho e cuidado.

"Uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
"sempre em frente" foi o conselho que ela me deu"

Thursday, January 24, 2013

Velha e Louca

Parabéns pelos meus belos 25 anos.” Eu tô ficando velha, eu tô ficando louca”. Nada mudou. A mudança é gradativa. Não é como se eu dormisse e acordasse madura, rica e magra. Porque era assim que eu achava que estaria aos 25 anos, quando tinha, sei lá... uns 6. Me imaginava completamente adulta. Casada, empresária de sucesso, e linda. Beeem linda. Que nem a Suzy, a amiga morena da Barbie. Sim, bronzeamento artificial estava no meu combo dos 25 anos. O caso é que hoje, não me vejo casando, continuo apenas na vontade de ser rica e empresária de sucesso, e gosto bastante de minha pele levemente avermelhada por qualquer cotoco de sol que eu tome.
Minha festa de 25? Não vai rolar. Decidi que até os 30 comemorarei meus aniversários fazendo coisas que eu realmente esteja com vontade de fazer. Este ano vou me reunir com alguns amigos a noite, e no dia seguinte vou viajar. Viajar é uma coisa que eu gosto de fazer. E farei. Aos 30 darei uma festa . Até lá espero já estar rica, magra e com vontade de comemorar.
Aos 25 continuo com traços de imaturidade, ciumenta, barriguda, curiosa, carente e teimosa. Mas hoje em dia admito ter um senso de justiça muito mais apurado e um amor próprio inversamente proporcional a todas as vezes em que me dei mal. Aos 25 tenho sede de crescer e me dedico a isso, passando as vezes por cima do que eu sinto. Sendo mais forte do que as pessoas esperam que eu seja. Ou mesmo imaginam. Engraçado perceber que aos 25, uma mocinha, ora bola, aos 25 há ainda quem espere tão pouco de mim... Uma pena, mas... “nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho”. Aos 25 não gosto da Malu Magalhães, mas acho que ela foi muito feliz ao escrever essa música para jovens que completam um quarto de século.  Parabéns para mim. 

"Pode falar que eu não ligo,
Agora, amigo,
Eu tô em outra,
Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca."