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Thursday, March 19, 2015
Podia ter sido eu. Podia ter sido qualquer um de nós. Vocês que leem há um tempo esse blog sabem da minha dificuldade com pensamentos constantes quando tenho dessas crises de ansiedade. Foi rápido dessa vez. Uma noitezinha só e passou. Mas aconteceu. E quando acontece mesmo depois de quase três anos é sempre um saco. E aconteceu. E digo, me quebrou um pouquinho. Passou em 12 horas, mas deixou uma marquinha estranha. Quem me conhece pessoalmente presenciou nos últimos meses uma série de transformações na minha vida. Dos oito quilos a menos ao bom humor matinal, muita coisa mudou e mudou rápido. Até me alertaram que em algum momento alguma coisa poderia sair do trilho, afinal ninguém muda assim, num estalar de dedos. E eu sabia sim que se alguma coisa me desestabilizasse de alguma forma isso poderia ocorrer. Não sei se é só cansaço, se é só vontade de dormir, mas hoje não tive vontade de me esforçar pra melhorar meu humor de manhã. Na verdade nem fiz questão de parecer bem humorada, nem escondi minha vontade de chorar quando minha garganta apertou e consegui repetir aquela frase estranha que eu passei odiar dizer: "acho que hoje estou meio deprê". Só por hoje me dei o direito de retroceder um pouquinho nos meus avanços pessoais. Porque poderia ser eu. Não foi, mas poderia.
Thursday, May 22, 2014
O céu é rosa no final da tarde.
O céu tem dessas coisas né? Passa um dia inteiro cinza, com aquele arzinho de nuvem fumaça, o vento cortante morando nele, e ai anoitece. Mas antes de anoitecer ele fica cor de rosa. Ora, pois. Cor de rosa. Mesclado com lilás, já escurecendo cada vez mais. Nessa hora, não sei se vocês já perceberam, parece que o mundo inteiro muda de cor junto. Pode reparar. Aquelas árvores tão verdes, ficam com diferentes tons de verde, e até o cinza do asfalto parece adquirir um tom levemente azulado. Os olhos parecem funcionar melhor no cair da noite. Ou sou eu quem funciono melhor a essa hora?
De cá, ando com saudades. A saudade aperta, ah sim. Vontade de por do sol daqueles no MAM. E de comer pizza na casa de Dai , nas quintas à tarde, naquela casa em frente ao Savina. E saudade do churrasquinho da Bela Vista. E também vontade de jogar sinuca no Quintal. E também de sambar no meio da rua na Lapa. E olha que nem sei sambar. E saudade das horas em viagens infindáveis de carro com os irmãos para ver os avós. Um combo de bons momentos que diariamente são substituídos por outros bons momentos.
Mas o céu, o céu cor de rosa, esse nunca é substituído.
De cá, ando com saudades. A saudade aperta, ah sim. Vontade de por do sol daqueles no MAM. E de comer pizza na casa de Dai , nas quintas à tarde, naquela casa em frente ao Savina. E saudade do churrasquinho da Bela Vista. E também vontade de jogar sinuca no Quintal. E também de sambar no meio da rua na Lapa. E olha que nem sei sambar. E saudade das horas em viagens infindáveis de carro com os irmãos para ver os avós. Um combo de bons momentos que diariamente são substituídos por outros bons momentos.
Mas o céu, o céu cor de rosa, esse nunca é substituído.
Monday, April 28, 2014
O mundo tem jeito, viu?
Olhe meu povo, o mundo ainda tem jeito. Tava com esse texto aqui engasgado tem uns dias, mais por falta de tempo que por falta de saco pra escrever. Vejam bem, não parece, mas o mundo tem jeito sim. Um colega de trabalho outro dia me deu esta pedrada : "Erika, como é que você quer que o mundo mude se justamente as pessoas que tem essa vontade de mudar estão com medo de salvar o mundo?" Isso ele me dizia quando eu brincando afirmava que não ia botar filho no mundo pra morrer de sede ( Coisa de ambientalista, tá?). Ele dizia: "Gente como você precisa sim passar pra frente o que sabe, o conhecimento. Precisa fazer a transformação". E não é, meu querido, que você tinha razão? Parece utopia. Mas é bem isso.
Quando vejo os filhos dos meus amigos e meus primos mais novos tocando o terror na consciência ambiental, nas lições anti preconceitos e no jeito certinho de escolher que som ouvir ( Vitinho, Rudah, Loh, Lindinha e Pedrinho, essa é pra vocês!!!) eu acho que o mundo tem jeito sim. Quando vejo os causos dos sobrinhos e filhos daquela galera q eu acho massa, mas não tenho muito contato , sobre tal lição de moral, ou tal atitude correta eu acho que o mundo tem jeito. E olha, eu torço, torço mesmo pra que eles não se corrompam no meio do caminho.
Mas quando eu vejo o cobrador do meu ônibus, sentar do meu lado e me dizer que admira meu trabalho ( sem nem mesmo ter a mínima ideia de que função exerço) porque sabe que eu trabalho com conservação ambiental eu fico toda serelepe. Quando ele me diz que acredita que o mundo tem salvação, seja no que diz respeito às condições climáticas, a conservação das florestas e a mudança de hábitos das pessoas, eu tenho vontade de levantar e dar um abração nele. Quando ele me diz todo faceiro: " a gente tem que fazer nossa parte né? Você salvando as plantas e eu conversando com as pessoas pra aprender mais, né?" eu fico doida de feliz. E de esperança. E de orgulho.
E quando eu vejo o pai daquele meu amigo, que eu comecei a contar o causo lá em cima,aquele de que o mundo tem salvação, quando eu vejo o pai dele, um senhor fofinho, discorrendo sobre o que é ser comunidade, o que é ser parceiro e o que é estar disposto a aprender sempre pra repassar conhecimento, ai meu povo, ai eu sei que o mundo tem mesmo jeito.
Quando vejo os filhos dos meus amigos e meus primos mais novos tocando o terror na consciência ambiental, nas lições anti preconceitos e no jeito certinho de escolher que som ouvir ( Vitinho, Rudah, Loh, Lindinha e Pedrinho, essa é pra vocês!!!) eu acho que o mundo tem jeito sim. Quando vejo os causos dos sobrinhos e filhos daquela galera q eu acho massa, mas não tenho muito contato , sobre tal lição de moral, ou tal atitude correta eu acho que o mundo tem jeito. E olha, eu torço, torço mesmo pra que eles não se corrompam no meio do caminho.
Mas quando eu vejo o cobrador do meu ônibus, sentar do meu lado e me dizer que admira meu trabalho ( sem nem mesmo ter a mínima ideia de que função exerço) porque sabe que eu trabalho com conservação ambiental eu fico toda serelepe. Quando ele me diz que acredita que o mundo tem salvação, seja no que diz respeito às condições climáticas, a conservação das florestas e a mudança de hábitos das pessoas, eu tenho vontade de levantar e dar um abração nele. Quando ele me diz todo faceiro: " a gente tem que fazer nossa parte né? Você salvando as plantas e eu conversando com as pessoas pra aprender mais, né?" eu fico doida de feliz. E de esperança. E de orgulho.
E quando eu vejo o pai daquele meu amigo, que eu comecei a contar o causo lá em cima,aquele de que o mundo tem salvação, quando eu vejo o pai dele, um senhor fofinho, discorrendo sobre o que é ser comunidade, o que é ser parceiro e o que é estar disposto a aprender sempre pra repassar conhecimento, ai meu povo, ai eu sei que o mundo tem mesmo jeito.
Monday, April 07, 2014
Tem que
Tem que. Duas palavrinhas que eu não curto. Tem que ser competente. E tem que ser proativa. E tem que ser educada. E tem que saber andar de salto. Tem que ser feminina. E tem que ser forte e se impor. E tem que se dar ao respeito. E tem que respeitar, porque veja bem, se não for assim não serve. Tem que casar antes dos 30. E tem que ter filho. E o instinto materno tem que aflorar. E tem que saber usar blush. E tem que dar conta das amigas. E tem que ser discreta pra não fazer inveja nos outros. E tem que ser sincera. Mas tem que ser sensível e não machucar com a sinceridade. E tem que fazer as unhas. E tem que comer pouco. Tem que segurar a onda e não chorar. Tem que demonstrar o que sente. Tem que ser educada. Tem que acreditar em Deus. Tem que ter uma religião. Tem que ser coerente. Tem que saber dosar o fanatismo. Tem que cumprir as metas. Tem que saber a hora de parar. Tem que emagrecer. Tem que engordar um pouquinho porque emagreceu demais. Tem que ouvir os outros. Tem que saber falar pouco.E tem que ser paciente. Tem que não esperar que os outros te entendam. Tem que entender, veja bem, tem que entender a situação. E não pode reclamar.
Thursday, March 27, 2014
Dá gosto
Gosto do silêncio daqui. E do barulho de lá. Gosto de acordar aqui com o sol batendo nos meus pés, na beirinha da cama. E adoro poder dormir até 11 da manhã lá, sem nem saber que já amanheceu. Gosto também daquele outro lugar. Onde a cama é minha de verdade e eu já quase me acostumei a não ouvir o baticum de panelas na cozinha sábado de manhã.
Gosto do ritmo daqui. Gosto do ritmo de lá. E no outro lugar, quem faz o ritmo sou eu. Gosto do povo daqui, e amo o povo de lá. E me sinto tão parte do povo daquele outro lugar que é como se o povo inteiro fosse eu mesmo. Gosto da falta do que fazer daqui. Mas adoro a vida social de lá. E lá naquele outro lugar?Onde eu posso decidir se quero calma ou agonia?
Aqui eu gosto do cheiro de mato. Lá eu gosto do cheiro de amor. E no outro lugar o cheiro é de mar.
Ás vezes esqueço. Ás vezes apenas não gosto. Não gosto daqui quando não estou lá.Não gosto de lá quando preciso de informações daqui, e no outro lugar não gosto quando a comitiva de amor não está completa.
Mas quando eu compartimento dá gosto. Dá gosto gostar. Daqui, de lá ou daquele outro lugar.
Gosto do ritmo daqui. Gosto do ritmo de lá. E no outro lugar, quem faz o ritmo sou eu. Gosto do povo daqui, e amo o povo de lá. E me sinto tão parte do povo daquele outro lugar que é como se o povo inteiro fosse eu mesmo. Gosto da falta do que fazer daqui. Mas adoro a vida social de lá. E lá naquele outro lugar?Onde eu posso decidir se quero calma ou agonia?
Aqui eu gosto do cheiro de mato. Lá eu gosto do cheiro de amor. E no outro lugar o cheiro é de mar.
Ás vezes esqueço. Ás vezes apenas não gosto. Não gosto daqui quando não estou lá.Não gosto de lá quando preciso de informações daqui, e no outro lugar não gosto quando a comitiva de amor não está completa.
Mas quando eu compartimento dá gosto. Dá gosto gostar. Daqui, de lá ou daquele outro lugar.
Monday, March 24, 2014
Eu, a dieta e o "de volta às origens"
Daí que eu engordei 10 quilos em 1 ano e meio. Uma beleza.
Agora peso 70 kg e tô de cá correndo atrás do prejuízo pra ver se perco pelo
menos 5 desses coisinhas chatos que nunca pensei que fossem me preocupar tanto.
Olha, engordar funciona assim: um dia você é apenas mais uma
“falsa magra”, aquela coisa de ter as pernas finas e uma barriguinha saliente.
Depois você arruma um emprego no alto de uma serra, com um clima frio e um
restaurante com jantares gostosos. Ai você come. E come porque tá frio, come
porque tá ansiosa, come porque, poxa, é lasanha! Come porque tá feliz, ou
porque tá triste. O importante é comer como se não houvesse amanhã. Ai um dia
você descobre que engordou 10 kg e que está 5 kg acima do seu peso ideal. Ah,
sim, descobre também que seu colesterol tá uma beleza e que seu triglicérides
tá “só” o dobro do ideal. E a gastrite? Bem, obrigada.
Bom isso tudo eu descobri no final do ano passado. E claro,
tomei um puta susto e passei um mês seguindo a risca a dieta que meu gastro
passou. Emagreci, fiquei dyva, fiquei phyna, comecei a malhar. Mas... só por um
mês também. Engordei tudo de volta agora. E ai gente bonita? Tô de dieta de
novo. E porra, acho dieta um negócio
chato pra caramba.
Acho chato porque gosto de comer. Sinto prazer em comer. E
sempre achei um saco gente que fazia dieta e ficava dando conta do que eu tava
colocando no prato. Mas agora tô achando chato pra caramba só caber em duas
calças e só usar blusas folgadas. E ai... sim, tô de dieta. Continuo malhando,
mas depois de mil anos de sedentarismo, qualquer exercício que eu faça tem que
ser de um jeito beeem mais leve do que as coleguinhas gostosíssimas da
academia.
Enfim. Daí que você pode imaginar que eu + dieta = mal
humor. Não que eu ache que eu tenha que estar 100% do tempo de bom humor. Na
verdade quem me conhece bem direitinho sabe que eu já não sou lá esse poço de
delicadeza, esse ser alto astral. Ah, não sou. E sem comer então... Vamos lá.
Só queria compartilhar mesmo que estou passando fome, mas que é por uma boa
causa. Façam suas apostas de quanto tempo essa dieta vai durar.
Na verdade, esse foi só um texto pra ir calibrando de novo
minhas manhas de escrever de novo sobre minha vida pessoal e assuntos
aleatórios. Rá!
Wednesday, March 19, 2014
Ritmo
Transformo em sonho o som dessas cordas. Transformo em som o
meu desejo. E os desejos transformo em planos. Planos meus, planos nossos.
Transformo em verdade o que digo sussurrando enquanto ando por ai. Não é que é
verdade quando dizemos o que sentimos até quando estamos sozinhos? Transformo
em medo aquela ida. E em saudade a despedida. Transformo a saudade em doces
doses de amor transformadas em mensagens. E veja bem, é tão bonito quando
viramos poesia. Transformo em gritos os
meus segredos. Transformo em amor o seu dedilhar no violão. Transformo em som pra você entender. E transformo os planos , os
desejos e a saudade em ritmo.
E lá vamos nós, tentar voltar a escrever...
Thursday, July 18, 2013
Precisa-se de ideias
Uma amiga dessas bem queridas e já muitas vezes citadas
aqui, animada com minha vontade de voltar pro blog me perguntou porque afinal de
contas eu não volto de uma vez e tenho postado apenas textos espaçados e pouco
falando sobre mim. Super poderia responder que amadureci e já não tenho
necessidade de falar sobre eu mesma. Mas ai ia ser mentira. Porque vejam, a
questão é que há muito tempo não acontece nada que me abale tanto como antes
acontecia. Mas coisas novas acontecem todo dia, o tempo todo. Só que acho
desconfortante e até mesmo sem graça pros leitores me ler falando sempre de
como minha vida vai bem, obrigada. Porque sim, ela vai! Incrivelmente bem. (E
confesso que até tenho medo desse mar de rosas...).
O caso é que, tenho
várias ideias de como voltar a escrever. Penso num blog com pequenos contos e
histórias aleatórias, penso num blog com histórias seriadas ( por exemplo, uma
história por semana, escritas um trecho cada dia da semana)... Bom, não sei.
Até um blog sobre culinária eu já pensei em fazer. Mas simplesmente não consigo
desapegar desse espaço aqui. Talvez porque ele guarde boas lembranças. Talvez
porque um dia ele tenha bombado e eu ainda guarde um pouquinho de esperança de
voltar a bombar... Não sei. Talvez porque eu adore passar uma tarde inteira
relendo-o. Bom, desapegar do MMEC é
difícil. E quem já teve um primeiro blog sabe o que eu estou falando.
Escrever agora, sobre mim, chega a ser estranho. A menina
que vivia uma eterna crise emocional e tomava decisões precipitadas se tornou
numa mocinha com auto controle suficiente para pensar antes de responder qualquer
provocação. Aquela jovem que ia para baladas
semanalmente com as amigas, falava inglês aleatoriamente (rsrsrs) e usava
óculos de sol logo de manhã cedo, na volta pra casa transformou-se numa criatura que mora de segunda a sexta num
local isolado, e no final de semana sai muito pouco. Transformou-se em alguém
com um relacionamento (pela primeira vez) completamente estável ( e saudável).
É alguém com emprego e profissão valorizados e muito orgulhosa disso, sim! E
com a vida pacata. O que não quer dizer sem graça, que fique claro. A nostalgia
tende a ser normal quando se olha para trás, eu acho. Mas a vida vai bem
obrigada. Aquele vazio esquisito que ela tanto falava aqui parece que sumiu. É
estranho. Mas sumiu!
O jeito de encarar a vida agora é outro, e talvez por isso
seja tão estranho pra quem lê. E pra quem escreve. Gostaria de ter coragem da
Colombina e começar outro projeto, do zero. Mas não tenho. E assim, ainda acho
injusto simplesmente deixar de escrever aqui. Só gostaria de achar uma
utilidade para espaço tão, tão, tão querido. Aceita-se sugestões.
Thursday, July 11, 2013
Eu pareço nervosa?
Inspirado por Dai, escrito por mim, e representando gente que possivelmente não existe no mundo. Pelo menos nós não conhecemos ninguém assim.
Ataque de raiva no trânsito. Eu sempre soube que um dia ia
ter um. Começa do fato de eu simplesmente não entender como pessoas com déficit
de atenção e egocêntricas e egoístas, incapazes de respeitar as leis podem
conseguir uma habilitação. E os motociclistas, Jesus? O fato é que passei anos
com uma carteira guardada na carteira por puro medo de matar alguém, então me
reservo o direito de me irritar com pessoas desequilibradas que podem colocar a
minha vida em risco.
Sim,sim, sim. Eu tinha medo. Aliás, medo não, pânico de um
belo dia feliz, por falta de experiência no volante,me afobar a acabar
atropelando alguém. Já pensou no prejuízo pro resto da vida? Da minha e do
atropelado, coitado. Preferi esperar algum tempo, trabalhei meu psicológico e
cá estou. Numa sala de observação de um hospital público porque o jovem rapaz
em que eu bati antes da pressão abaixar e eu ficar verde é médico. Ora. Pra que
eu preciso de um médico? Eu não estou doente. Eu pareço doente? Eu não pareço
doente. Eu estou é puta da vida! Aonde já se viu? Uma cortada brusca num carro
vermelho. VER-ME-LHO. Como é que alguém não vê um diabo de um carro vermelho?
Ah, pelo amor de Deus, me tragam uma garapa de limão balão! E ai que o amado
que me causou tanto transtorno resolveu que eu sou desequilibrada
hormonalmente. Desequilibrada é a senhora mãe dele.
Agora ele quer me dar um calmantezinho. Calmante? Eu não tô
nervosa . Eu pareço nervosa? Eu não tô nervosa. Eu quero é ir pra minha casa,
pro meu cachorro chamado Alfredo e minhas pantufas da parada gay e me encher de sopa Vono até explodir.. Pelo amor de
Deus. Calmante? Eu não preciso de calmante. Ele que precisa de mais uns dias na
auto escola. Quer dizer. A pessoa passa anos sem dirigir para preservar a vida
humana e quando resolve voltar a dirigir aparece um qualquer de jaleco branco ,
charmoso e bate em você. A vida é justa? Não é. Não pode ser.
Monday, July 08, 2013
Por onde andei
Alguma vez você já esteve tão, tão, tão assustada com alguma
coisa que nem tinha a reação de ter medo? Um paradoxo, eu sei. Mas experimente
essa sensação girando, girando, girando, sem ter ideia do que vai acontecer no
próximo segundo. Essa é a sensação de um quase acidente em uma estrada
movimentada. Essa mesma sensação que te deixa tão em choque que ao mesmo tempo
que te congela e te faz simplesmente esperar é a mesma que faz, minutos depois,
entre o choque e o alívio refletir.
Já tinha visto e ouvido muitos relatos de gente que depois
de uma situação de risco faz: “vi a minha vida passar que nem um filme” e logo
depois o alerta: “ precisamos aproveitar cada segundo porque a vida é coisa
muito frágil”. E sempre achei meio bobeira de quem parava e dizia isso. Olha,
estar de fato numa situação de risco é uma coisa tão maluco e tensa e chocante
que sim, as reflexões sobre que diachos você tem feito sobre sua vida vêm sem
que você nem perceba. Minha primeira reação depois que o carro finalmente parou
foi: respirar. O susto te faz parar de respirar. E depois lembrar que pronto,
sai dessa sem um arranhão. E agora? E durante o dia fui lembrando que muitas
coisas tenho deixado de lado, e que sim, tenho muitas coisas ainda por fazer.
Mas tenho também muitas coisas para terminar. Muita coisas que gostaria de dar
mais atenção e não tenho dado. Este blog por exemplo. Foi minha válvula de
escape por tanto tempo, acompanhou as minhas diversas fases e me fez uma pessoa
até mais popular no meu habittat natural. Graças a ele fiz amigos, ganhei
bombons e consegui escrever todas as coisas que não tinha muita coragem de
falar. E olha que o blog é só um exemplo mais fácil de citar quando me refiro a
coisas que simplesmente larguei pela metade.
O que sobrou de tantos rodopios e segundos sem ar? Nem que
seja por hoje, a vontade de tocar pra frente, de realizar. “Que a vida é mesmo
coisa muito frágil, uma bobagem uma irrelevância”.
Tuesday, March 19, 2013
Não uso sapato
Nunca fui dada a poesias. Sempre
achei que quem escreve poema não escreve para si, escreve para os outros,
afinal, aqueles que leem poesia e se acham entendidos acabam, na grande maioria
das vezes, achando significados ocultos, identificações que talvez o poeta
nunca tenha imaginado. Qual o problema com isso? Nenhum. Mas o caso é que nunca
consegui gostar de poesia. Pronto falei. Os cults os amantes da literatura
nobre e da riqueza de palavras simétricas que me perdoem, mas é isso. Não gosto
de poesia. A menos que venha com notas musicais no combo. Mas ai é diferente.
Ai é música. E música é assunto pra outro post, quem sabe.
Por muito tempo, achei que minha
aversão completa e disfarçada à poesia fosse fruto de uma inveja velada, por
também não conseguir poetizar meus pensamentos. Mas hoje, uma amiga querida,
brincou e me disse que eu tinha alma de poesia. Fiquei em choque. Ora! Que
diabos é uma alma de poesia? É uma alma incompreensível? Não sei. Não
perguntei, não quis dar a bandeira de que não curtia versos. Ainda não tinha
resolvido sair do armário dos “não fruidores”. Eu juro que tentei. Da poesia
clássica a moderna, dos conhecidos, aos desconhecidos. Eu tentei. Até resgatei
um combo de poemas que meu primeiro namorado me deu. Nenhuma poesia tinha sido
escrita para mim. Vai ver foi isso. Um trauma. Mas o caso é que eu tentei. Li
de tudo. Li Drummond, li Leminsk, li Pessoa. Li todos eles, mas alguns só me
convenciam em uma ou outra frase de efeito, lida claro, fora do contexto. E me
perguntou. Sou alguém pior por isso? Não gostar de poesia atesta minha
insensibilidade? Verdade que para ser um escritor famoso você tem que gostar de
poesia? Não que eu queira me tornar uma escritora famosa. Mentira, eu quero.
Era segredo, mas agora eu admito. Dou detalhes em outro post também. Mas o caso
é: porque diabos nenhum poema me toca? Porque acho rimas chatas? Porque acho
uma viagem ler uma coisa que não faz o menor sentido e tentar explicar dando um
sentido menor ainda. E porque, ai Deus, porque, os poetas não explicam seus
poemas nas notas de rodapé? Ok, essa ultima questão vai gerar críticas e talvez
eu seja chamada de burra. Não sei fazer
poesia, e adoraria descobrir que diabos é uma alma de poesia.
"Eu não sei fazer poesia,
mas que se foda".
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